É que já não dá mais! Aquilo foi se acumulando e se acumulando que agora eu nem sei mais o que se acumulou. Um sentimento ruim, parece que um vírus se instalou em mim e está destruindo tudo, mas acho que é a culpa é minha sabe. Sempre fui meia medrosa, eu e meus sentimos, sempre concordei com tudo (mesmo aquilo que eu não aceitava), ficava quieta ali, se estava bom para os outros por que não estaria para mim? Mas eu sabia que não devia ser assim, eu devia ter me imposto, ter mostrado minhas opiniões, meus sentimentos. Na vida eu sempre me julguei café-com-leite e hoje sinto o peso sobre mim, o peso de nunca ter vivido. É, aquele ditado de que ‘Poucos vivem, o resto só existe’ está certo, mas aos meus olhos eu tinha a impressão, a impressão não, a certeza de que todos viviam, eu que estava ali sendo figurante. A garota que só serve quando alguém precisa de ajuda, só serve para ouvir, só serve para ser mais uma e única quando era a última opção.
Estou mesmo me queixando das pessoas, não posso estar sofrendo apenas por minha culpa, uma hora outra, outra pessoa vai nos magoar, decepcionar e partir. Uma hora ou outra seremos esquecidos por alguém que nunca esqueceremos, alguém que deixará um buraco enorme na nossa vida e talvez acabe com ela. Estou mesmo de cara fechada, ando mais sozinha do que o normal e estou preferindo ficar em casa do que sair com os amigos (eles são meus amigos, mas eu não sou deles sabe isso?).
Sei que estou chateada com as ‘piadas’ da vida, mas o que me incomoda de verdade, que me perturba, que me tira o sono, que me deixa em silêncio é a insatisfação. Caralho! Eu sempre acho que não sou boa pra ninguém, mesmo recebendo elogios, mesmo sendo convidada para sair, mesmo tendo alguém correndo atrás de mim. Tenho aqueles filmes que a gente cria na cabeça de que eu vou estar com essa pessoa, mas alguém melhor vai aparecer. E aí, como é que eu fico? Eu ficarei arrasada, sozinha, chorando por ter me apaixonado sabendo que eu não seria boa o bastante para ele. Sempre acho que tudo o que eu fizer alguém fará melhor, tipo desde lavar a louça ou contar uma piada, sempre haverá alguém que me deixe sentindo como se eu fosse a pior pessoa do mundo.
Odeio ser indecisa, odeio ser tímida, odeio ter medo de relacionamentos. Odeio o medo, a incerteza, odeio fazer escolhas (de novo vem aquela coisa chata que eu tenho: se eu escolher esse, tenho certeza que o outro é melhor). Me olho no espelho e não sei que roupa por, não sei se deixo o cabelo preso ou solto, chapinha ou ondulado, tênis ou sapatilha? Não sei nem por que estou saindo, eu sei que ninguém irá me olhar e se olhar é porque eu devo estar com alguma coisa nos dentes ou debaixo do meu sapato.
É isso que eu odeio, eu me odeio. Queria ter nascido uma pessoa melhor, uma filha melhor. Eu só queria um pouco mais de confiança, apenas para não me importar em ser quem eu sou. Para poder dizer: Foda-se o que você pensa! Mas não, de todos os DNAs eu tive que nascer logo com o meu! E apesar de tudo o que eu tenho, dos amigos, da família…eu estou triste, estou aqui escrevendo nessa noite nublada de domingo, estou aqui presa com vergonha de ser um patinho feio. E depois de escrever o que eu escrevi, eu me pergunto:
- O que fazer quando seu maior inimigo é você mesmo?
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